As relações entre investidores e empreendedores nunca saem do nosso radar. Não poderia ser diferente, considerando que o acesso ao capital costuma ser um dos principais objetivos, tanto de quem está começando, quanto para quem já se estabeleceu e quer crescer. Por isso, é natural que o levantamento de investimentos cause tanta ansiedade, dores e dúvidas.

O processo de captação de recursos, normalmente, é bastante doloroso para o empreendedor, pois não se trata de uma etapa rápida. Esta atividade, além de demandar muito tempo, requer, também, muita energia por parte do empresário, tendo em vista a exigência de algumas reuniões, logística do deslocamento e, até mesmo, a manutenção da rotina de trabalho perante a administração do seu negócio.

Entretanto, após a primeira captura de recurso com sucesso, o caminho se torna mais fácil. A junção de uma boa ideia a instrução e conhecimento sobre o produto desenvolvido são imprencindiveis para percorrer um caminho de sucesso.

Neste sentido, em nosso ponto de vista, o momento mais adequado para se receber investimentos externos não é outro senão após a apresentação de um Produto Mínimo Viável – MVP, isto porque, o modelo de negócio estabelecido já possui um valor minimo agregado e/ou pelo menos contém algo tangível, com capacidade de demonstração materializada aos investidores. A apresentação do produto materializado, fora da fase de ideação, evita a visão superficial do empreendimento, minimizando brechas e dando condições aos investidores, para uma análise paupavél, capaz de projetar as possibilidades de crescimento do que fora desenvolvido até o momento.

Pergunte-se: quais são meus objetivos? Caso você esteja em um segmento onde a credibilidade de uma pessoa de “cabelo branco” e com histórico de realizações é fundamental para atrair talentos e parceiros neste setor, não tenha dúvidas e vá atrás disso! Contudo, ao mesmo tempo, é fundamental que se tenha muita clareza do que você deseja, as suas escolhas podem acarretar mudanças cruciais em seu negócio.

A melhor forma de se planejar é montar uma pequena matriz, com linhas de competências e características que você deseja e, incluir também, aquelas que você dispensa.

Procure elencar os investidores de seu interesse e aqueles que melhor se adequam ao modelo do seu negócio. Preencha de forma muito honesta e peça para os seus sócios fazerem o mesmo.

Feito isso, está na hora de ir para o mercado!

Comece alterando seu mindset. “Abrir mão” de uma parte da empresa para investidores externos, na visão do empreendedor, é empregar a lógica de uma torta. Talvez valha mais a pena ter uma fatia de uma torta enorme do que ficar com a integralidade de uma torta pequena.

Tome cuidado! A equação pode não ser tão simples assim… Caso a cessão seja enorme, o empreendedor pode perder justamente a motivação inicial: cuidar do seu negócio, o que colocará em risco as expectativas depositadas sobre aquele sonho.

A decisão de “abrir mão” de uma parte de sua empresa em troca de capital só faz sentido se aquele aporte for capaz de mudar significativamente o ritmo de crescimento, mudando o cenário de forma impactante.

As perguntas que o empreendedor deve se fazer são: quanto eu consigo crescer sem capital? Qual será meu crescimento com capital? A diferença entre a primeira e a segunda curva precisa ser muito grande para justificar o investimento. Você deve medir qual será o valor da cessão da participação em sua empresa!

Algumas coisas ainda precisam ser esclarecidas! O investidor, sobretudo aquele de capital, irá aportar com a intenção exclusiva de ter resultados consideráveis no futuro e, certamente, ele já está considerando a distribuição proporcional dos lucros. Por isso, é fundamental a definição de todos os pontos já descritos acima. Uma estratégia mal elaborada de captação de investimento pode gerar perdas enormes. Pode ser, até mesmo no Brasil onde a captação de recursos junto às instituições financeiras é majorada por juros altíssimos, que a captação com investidores se torne ainda mais onerosa, se mal realizada.

Levantar capital de terceiros, é assumir a responsabilidade de resultados. Ninguém entra para perder!

As perspectivas mudam a cada dia, e apostar no que não é real é um equívoco bastante comum e que deve ser evitado. Esteja preparado! Uma das grandes vantagens em receber investimento é que eles têm mais chances de dar certo. Principalmente por ser um tipo de empresa inovadora que antevê problemas e propõe rápidas e viáveis soluções.

Neste intento, apresentar um bom “pitch”, registrar sua marca, elaborar bons contratos, obter a validação do seu modelo de negócio e colocá-lo para rodar é uma excelente estratégia para atrair bons investidores.

Além disso, deve-se considerar, também, que a manutenção dos itens mencionados acima é de grande valia para manter o negócio de pé e não percorrer um caminho sombrio. Se o negócio vai mal, não irá despertar interesse no mercado. Para isso, o melhor conselho é: Não espere a necessidade do capital para começar a buscar investidores!

O melhor momento para procura-los é justamente quando ainda não se precisa do dinheiro deles. Os melhores investidores vão querer acompanhar o progresso do seu negócio, pois terão a possibilidade de obter uma avaliação real dos riscos de execução. É por isso que encontrá-los é o mais difícil para startups, pois há o desafio de desenvolver um histórico sobre o negócio, que, inevitavelmente, demanda tempo. Ideal mesmo, é que o empreendedor não demore seis meses ou, até mesmo, um ano para montar um protótipo. Pior seria se da noite para o dia resolvesse decidir que é hora de arrecadar fundos e ver “o dinheiro entrar”.

As coisas no mundo dos negócios não funcionam assim! Você precisa se relacionar com a comunidade financeira ao criar sua empresa, sobretudo para garantir o financiamento certo.

Deste modo, construir relacionamentos de longo prazo com potenciais investidores demonstrando paixão, integridade e comprometimento com a missão de sua empresa, será o ideal para capturar alguém que deposite confiança e, sobremaneira, recursos financeiros em um projeto que você acredita. Ter um tempo para esse período de namoro é a melhor maneira de se conhecerem, determinar se o relacionamento é, ou não, adequado e alinhar-se às metas de curto e longo prazo.

Outra faceta importantíssima ao procurar investidores, é, primeiro, realizar pesquisas. Deve-se considerar o tamanho do negócio almejado, se há necessidade de usar um acelerador ou não, e se há preferência entre investidores anjos ou investidores institucionais (assunto que abordaremos num outro momento).

Existem diferentes perfis de investidores-anjo no mercado que querem ampliar seus investimentos em um portfolio de negócios, apresentando possibilidade de investimento de acordo com a quantidade de tração do seu negócio ou setor de atuação da tecnologia desenvolvida.

Cada investidor se concentrará em diferentes oportunidades que atendam aos seus interesses, pesquise em quem eles investiram e o que eles procuram e, em seguida, divulgue sua empresa para eles. Este momento demandará muitas conversas e reuniões e o controle do estágio da conversa com os investidores é fundamental! Isso será determinante para definir quais informações precisarão ser enviadas e/ou compartilhadas.

Por fim, a medida que sua empresa cresce e se desenvolve, os investidores certos perceberão e farão parte de ajudar a transformar seu negócio em um sucesso.

Assim, quando você investe seu tempo fazendo as conexões certas, seus investidores se tornarão alguns de seus maiores apoiadores, aliados e conselheiros.

 

Boa sorte e bom preparo!

 

Dúvidas? Fale Conosco!

 

Ciaem – Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras

Guilherme Augusto de Oliveira Vilela_ gerencia.ciaem@ufu.br

 

Amaral Advogados

Heitor Amaral Ribeiro_ heitor@amaraladvogados.adv.br

Larissa Campos Sousa_ larissa.campos@amaraladvogados.adv.br

Print Friendly, PDF & Email